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1 de fevereiro de 2017

Tudo sobre a Febre Amarela

FEBRE AMARELA:

Possivelmente há pessoas querendo alguma atualização sobre febre amarela, inclusive com dúvidas sobre se deve ou não tomar a vacina, quando, onde e a partir de que idade.
Assim, resolvi fazer um breve resumo sobre a doença, esclarecendo essas dúvidas.
a doença existe sob:

Duas formas epidemiologicamente distintas
• febre amarela silvestre 
• febre amarela urbana

➢ Ambas são semelhantes dos pontos de vista etiológico, fisiológico, imunológico e clínico. As diferenças entre elas se referem à localização geográfica. 

• A doença é própria da região de matas onde circula o vírus.
• Ocorre mais frequentemente nos meses de JANEIRO ABRILapós o período de chuvas.

Agente etiológico:
• Vírus amarílico 

➢ Na forma urbana, o homem se constitui no único hospedeiro

Agente transmissor (vetor):
• Nas áreas urbanas, o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor: homem → Aedes aegypti → homem.
• Estudos demonstraram capacidade do Aedes albopictus de transmitir o vírus amarílico 

Período de incubação
• Usualmente, 03 a 06 dias.

Período extrínseco de incubação (o tempo entre a infecção do mosquito vetor e o momento a partir do qual ele se torna infectante):
• Em média, 09 a 12 dias; mas, quanto maior a temperatura ambiente, mais curto será:
➢ de 12 dias (a 18 ºC)
➢ até 02 dias (a 30 ºC)

Período de transmissibilidade:
• Desde 01 dia antes do início dos sintomas até o 3º -  dia de doença.

Imunidade ativa
• A doença confere imunidade ativa natural, permanente.
• vacina confere e imunidade ativa artificial por um período mínimo de 10 anos (e pode ser administrada a partir dos 09 meses de vida)

Imunidade passiva natural
• Bebês que mamam seio materno podem apresentar imunidade passiva até o 6º mês de vida.

Espectro clínico da febre amarela:
• Desde infecções com quase nenhum ou com poucos sintomas até quadros exuberantes com evolução para morte que podem cursar com a tríade clássica que caracteriza a falência hepática da febre amarela: icterícia, albuminúria e hemorragias. 

Fases da Doença (doença bifásica)
• Primeira fase: caracterizadas pelas formas leves a moderadas. Também chamada de “período de infecção.  Pode durar de 02 a 04 dias
• Segunda fasecorresponde às formas graves ou “período de intoxicação ou de localização. Pode durar de 03 a 08 dias 

Na forma leve:
• febre moderada de início súbito, 
• acompanhada ou não de dor de cabeça
• mal-estar e 
• tontura
• Esse quadro tem duração rápida, de algumas horas a 0dias
• Tem evolução espontânea para cura

Na forma moderada:
• início de maneira abrupta, 
• com febre alta e dor de cabeça intensa, 
• congestão conjuntival, 
• dores musculares, 
• náuseas e vômitos, 
• prostração e, às vezes, calafrios. 
• Inicialmente o pulso é rápido, depois pode ficar mais lento (mesmo em presença de febre alta).
• Icterícia leve pode aparecer nesta forma, precedida de aumento das enzimas hepáticas (entre 48 a 72 horas após o início dos sintomas).

“Período de remissão”
• Geralmente, em torno do 3º dia de doença pode haver remissão do quadro, com desaparecimento de febre e dos demais sintomas, que dura de poucas horas até 01 ou 02 dias (geralmente 24 horas)
• A partir daí, o caso pode evoluir para cura ou para a segunda fase.

Formas graves:
• Corresponde à segunda fase ou “período de intoxicação ou de localização”. 
• Duração de 03 a 08 dias
• Nesta fase o vírus deixa a circulação sanguínea e localiza-se:
➢ no fígado, 
➢ baço
➢ linfonodos e 
➢ outros órgãos e, em consequência, o curso da doença vai refletir disfunções nesses órgãos e sistemas. 
• Reaparecimento da febre que se mantém elevada, 
• Dor epigástrica, 
• Diarréia,
• Vômitos,
• Surge também icterícia (do tipo verdínica)
• Hematêmese (vômitos com aspecto de “borra de café”, típicos da febre amarela)
• Melena, 
• Sangramentos na pele (petéquias e equimoses); 
• Podem surgir hemorragias de vias aéreas superiores e até mesmo o ouvido, nos locais de punção venosa e de injeções intramusculares (nos casos mais graves),
• Hematúria 
• Metrorragia
• Insuficiência renal em torno do 5º ao 7º diaurinando pouco ou até deixando de urinar,
• Prostração, 
• Sinais de desidratação, 
• Dor de estômago” intensa que dificulta a palpação, 
• Aumento do fígado,  
• Pressão baixa,
• Achados anormais ao eletrocardiograma.

➢ Alguns pacientes com a forma grave, que sobrevivem à insuficiência hepática aguda, morrem posteriormente em consequência de insuficiência renal. O paciente pode ter confusão mental, delírio, torpor e, na fase final, evolução para coma.

➢ O óbito costuma ocorrer após o 6º ou 7º dia do início dos sintomas, raramente após o 10º dia, quando parte dos doentes evolui para a cura espontânea.

➢ convalescença costuma ser rápida e a recuperação completa, mas ocasionalmente pode ser prolongada acompanhando-se de severa astenia por uma a duas semanas. Às vezes ocorrem complicações, como pneumonia bacteriana e sepse.

➢ Podem ocorrer formas atípicas fulminantes, levando à morte precoce em 24 a 72 horas após o início da doença. O quadro clínico é de início abrupto, predominando a insuficiência renal, sem passar pela evolução bifásica.

➢ Não existe tratamento antiviral específico para febre amarela.

➢ As formas leve e moderada da febre amarela são de difícil diagnóstico diferencialpois podem ser confundidas com outras doenças infecciosas que atingem os sistemas respiratório, digestivo e urinário.

Diagnóstico diferencial com:
• Leptospirose 
• Malária por P. falciparum
• Hepatite viral 
• Septicemia por gram negativo cursando com icterícia.
• Febre Maculosa Brasileira 
• Febres hemorrágicas virais 

Diagnóstico Virológico: É o teste confirmatório “padrão ouro”. 
➢ Recomenda-se coletar a 1ª amostra de sangue na primeira consulta do paciente e a 2ª,  após  o 14 a 21 dias. 

Vacinação:
➢ A vacina é CONTRAINDICADA abaixo de 06 meses de idade. Podendo ser feita a partir daí só para casos de muito risco epidemiológico (especificamente conforme os dados da Vigilância em Saúde).
➢ Recomendada a partir dos  09 meses, como rotina,  para crianças de áreas endêmicas
➢ É bem tolerada, mas toda vacina pode dar reações de leves a graves: cerca de 02 a 10% poderão apresentar febre, dor de cabeça e dor no corpo.

A vacina é contraindicada para:
• Crianças menores de seis meses.
• Portadores de imunodeficiência congênita ou adquirida, neoplasia maligna.
• Pacientes infectados pelo vírus HIV, deve ser levado em conta o CD4 e a carga viral.
• Pacientes em terapêutica imunodepressora (quimioterapia, radioterapia, corticóide em doses elevadas).
• Gestante, em qualquer fase constitui contraindicação relativa, devendo-se avaliar caso a caso.
• Pessoas com história de reação anafilática após ingestão de ovo.




REFERÊNCIAS:




SATO, Helena Keico.  FEBRE AMARELA . Disponível em:

BRASIL. Ministério da Saúde. MANUAL DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DE FEBRE AMARELA.  Brasília,   2004

Revisão baseada no documento do Ministério da Saúde
 – Maria Inês Guedes de O. Lopes – DVS -CAP 2.1-31.jan.17

2 comentários
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Thais Pinheiro
Thais Pinheiro

Thais Moura, 30 anos, carioca, bacharel em Direito e blogueira social media, mãe em tempo integral do Marcelinho.

2 comentários:

  1. Então por enquanto não precisamos tomar? Espero que estejamos protegidos dessa doença... morro de medo. Adorei o post. Beijos!

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  2. Existe uma lista que define quais áreas do país têm a recomendação normal de vacina (área endêmica), quais estão com a recomendação transitoriamente e quais não se apresentam com a indicação da vacina. Como você mora no RJ, não precisa se preocupar tanto, a não ser que vá viajar!

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